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Festas de Lisboa

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Lisboa vive os Santos

Tradição que nos une. 
Cidade que celebra.

Marchas Populares

Uma tradição com mais de nove décadas

As Marchas Populares de Lisboa constituem um dos momentos mais aguardados das Festas de Lisboa. Ao longo de vários meses, os bairros participantes preparam figurinos, coreografias e composições musicais originais para desfilar na Avenida da Liberdade, na noite de Santo António.

marchantes a atuar

As origens

Em 1932, Lisboa atravessava um momento de viragem nas suas festas populares, dando forma a um novo modo de celebrar a noite de Santo António.

A iniciativa das Marchas Populares deveu-se sobretudo a José Leitão de Barros — professor, jornalista, cineasta e pintor —, uma das figuras mais marcantes da cultura portuguesa da primeira metade do século XX. A ideia foi lançada nas páginas do Notícias Ilustrado e contou também com o apoio do Diário de Lisboa. Rapidamente ganhou adesão e foi acolhida por Luís Pastor de Macedo, então responsável pelo Pelouro dos Serviços Culturais da Câmara Municipal de Lisboa, que lhe concedeu patrocínio e integrou o projeto no programa oficial das Festas da Cidade.

A proposta procurava reunir e valorizar manifestações populares que já animavam os bairros lisboetas durante os festejos de Santo António, nomeadamente as tradicionais marchas de arquinho e balão que percorriam ruas, largos e pátios da cidade.

Nesse ano, realizaram-se as primeiras Marchas Populares em Lisboa, com a participação de três ranchos pioneiros — Bairro Alto, Campo de Ourique e Alto do Pina —, que se apresentaram no Parque Mayer, marcando o nascimento formal da tradição. O sucesso da iniciativa levou à realização de uma segunda exibição cerca de quinze dias depois, na qual participaram seis bairros — aos três iniciais juntaram-se Alfama, Madragoa e Alcântara, sendo a segunda exibição vencida pela Madragoa.

Após um interregno no ano seguinte, em 1934, as marchas regressaram e atingiram o seu primeiro grande momento de expansão e competição: participaram cerca de 12 bairros da cidade, num desfile que ligou o Terreiro do Paço ao Parque Eduardo VII. O evento ganhou uma nova dimensão urbana e tornou-se uma das grandes atrações das festas lisboetas. Nesse mesmo ano, as Marchas Populares foram institucionalizadas pela Câmara Municipal de Lisboa, consolidando-se como parte integrante das Festas da Cidade e reforçando a sua dimensão pública e cultural.

Arquivo Municipal de Lisboa, Benoliel, Judah, A marcha popular da Madragoa no pavilhão dos Desportos, atual pavilhão Carlos Lopes, 1950, CMLSBAH/PCSP/004/JBN/003958
Arquivo Municipal de Lisboa, Benoliel, Judah, Desfile das marchas populares: o andor de Santo António, 1955, JBN/004244
Arquivo Municipal de Lisboa,Benoliel, Judah, Marchas populares da Graça e São Vicente no Pavilhão dos Desportos, atual pavilhão, 1950, JBN/003960
Arquivo Municipal de Lisboa, Branco, António Castelo, Júri das Marchas Populares, 1952, ACB/000019
Arquivo Municipal de Lisboa, Branco, António Castelo, Marcha popular da Bica, 1952, ACB/000010
Arquivo Municipal de Lisboa, Casa Fotográfica Garcia Nunes, Marchas populares de Alfama, 1947, NUN/000502
Arquivo Municipal de Lisboa, Passaporte, António, Desfile das marchas populares, entre 1940 e 1959, PAS-002155

Em 1935, o fenómeno consolidou-se de forma ainda mais evidente. Participaram cerca de 14 marchas e foi nesse ano que se popularizou a Grande Marcha de Lisboa “Ai! Vai Lisboa!”, com letra de Norberto de Araújo e música de Raul Ferrão.

"Ai! vai Lisboa!
com a saia côr do mar,
e cada bairro é um noivo
que com ela vai casar."

versão da letra publicada no Diário de Lisboa, de 03-06-1935

A canção ganhou enorme projeção, sobretudo após a interpretação de Beatriz Costa, uma das figuras mais populares do teatro e do cinema português da época.

Também nesse ano surgiu um momento simbólico na história das marchas: a primeira atuação pública de uma jovem de 14 anos, vendedora de fruta nos cais de Lisboa, integrada no rancho de Alcântara — Amália Rodrigues. Anos mais tarde, já consagrada como uma referência na história do fado português, Amália Rodrigues viria a popularizar a interpretação desta e outras marchas populares.

Segundo a Fundação Amália, a primeira interpretação da versão "Lá vai Lisboa" aconteceu ao vivo no Olympia em 1956, com o respetivo album editado em 1957. A sua versão da canção permaneceu na memória dos portugueses até hoje.

As Marchas Populares inspiraram-se em tradições anteriores, nomeadamente nas Marches aux Flambeaux francesas, que animavam festas populares no século XIX. Essa influência ajudou a estruturar o formato do desfile e do espetáculo urbano.

Ao longo do tempo, os desfiles afirmaram-se como um fenómeno de enorme projeção pública e cultural, atraindo intelectuais, artistas e figuras políticas. A tradição conheceu interrupções em períodos de instabilidade internacional e nacional, nomeadamente durante a Guerra Civil de Espanha e a Segunda Guerra Mundial. Em 1940, no contexto das Comemorações do Duplo Centenário da Independência, as marchas foram pontualmente retomadas. Nos anos seguintes, conheceram diversos períodos de realização e interrupção, até se afirmarem de forma contínua no programa das Festas de Lisboa a partir de 1988.

Ao longo da sua história, as marchas incorporaram elementos que se tornaram parte da sua identidade, como a figura das madrinhas e, mais tarde, dos padrinhos, responsáveis por representar simbolicamente os bairros participantes.

Parte da informação apresentada nesta secção resulta da entrevista a Norberto Lopes (1981), disponível no Arquivo da RTP. Marchas de Lisboa – Parte I

A tradição hoje

O espetáculo que une a cidade na noite mais longa do ano.

As Marchas Populares permanecem como uma das expressões mais emblemáticas da cultura popular lisboeta e das Festas de Lisboa, reunindo tradição, criatividade e um forte espírito de comunidade.

Distinguem-se pela combinação de coreografia, música, cenografia e figurinos. Cada bairro é representado por um grupo de 68 elementos, entre marchantes, porta-estandarte e músicos — conhecidos como o “Cavalinho” — além de padrinhos, mascotes, aguadeiros, ensaiador e organizador.

marchantes desfilam na Avenida

Marchas Infantis

Uma tradição para as novas gerações.

Criadas em 1996, as Marchas Infantis de Lisboa nasceram com o objetivo de preservar a tradição das Marchas Populares e transmitir o seu legado às novas gerações.

Desenvolvido em parceria com escolas, agrupamentos escolares, coletividades e juntas de freguesia, o projeto tornou-se uma importante iniciativa educativa e comunitária, envolvendo anualmente milhares de crianças e jovens.

Os participantes preparam coreografias, figurinos e atuações que celebram a identidade dos bairros e das escolas que representam, contribuindo para a continuidade deste património cultural de Lisboa.

Pode interessar

Descubra a Grande Marcha de Lisboa 2026, “A Europa em Lisboa”, na qual tradição e contemporaneidade se encontram.

Ler entrevista

Sabia que

Nas primeiras Marchas Populares, os bairros lisboetas apresentaram-se como ranchos populares inspirados nas tradições e nos trajes de várias regiões do país?

 

Os campeões da Avenida
 

1.º lugar
Alfama (21 Títulos)

2.º lugar
Marvila (13 Títulos)

3.º lugar
Bairro Alto (7 Títulos)

Classificações desde a primeira edição

3 de junho de 1935

"As marchas dos Bairros, numero este que tanto entusiasmo despertou o ano passado na alma do povo lisboeta, pela sua feição popular, pelo seu cunho tradicional, pelo seu admiravel conjunto de movimento e de alegria, voltam a exibir-se em junho."

continuar a ler no Diário de Lisboa, de 03-06-1935

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