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Sobre o ponto de interesse
Criado em 1833 para dar resposta ao pico de mortalidade gerado por uma epidemia de cólera, o Cemitério dos Prazeres servia o lado Ocidental da cidade, em complementaridade com o Cemitério do Alto de São João. Ganhando o nome da ermida dedicada à Nossa Senhora dos Prazeres e junto da qual se faziam enterramentos em tempos de peste deste 1599, este cemitério passou para gestão municipal em 1835, ano em que foi publicada a lei de Rodrigo da Fonseca Magalhães, que obrigou ao estabelecimento de cemitérios públicos em Portugal e proibiu os enterramentos no interior das igrejas.
Em 1838, antes de iniciar a concessão de terrenos para construção de jazigos particulares, a CML pediu a Paris o regulamento e planta de Cemitério de Père Lachaise que, inaugurado em 1804, serviu de inspiração para maioria dos cemitérios europeus.
A elevada procura de terrenos para a construção de jazigos familiares a partir de 1839 levou a que o cemitério fosse alvo de sucessivas expansões para sul, ocupando todo o espaço disponível até ao limite das construções e da topografia do terreno. A primeira dessas expansões teve lugar em 1845, quando Pedro de Sousa Holstein, 1º Duque de Palmela, ofereceu à CML um terreno contíguo ao cemitério, reservando-se o direito de nele construir um jazigo de família. Desenhado pelo arquiteto italiano Guiseppe Cinatti, o Jazigo dos Duques de Palmela é considerado o maior jazigo privado da Europa e celebrado como uma «joia da arquitetura funerária portuguesa e um dos importantes túmulos da paisagem cemiterial europeia».
Iniciada em 1861, a nova capela do cemitério foi concluída em 1869, substituindo a ermida como espaço para a realização de cerimónias religiosas. Destaque-se que, apesar da capela ser de afiliação católica, o cemitério era um espaço secular, acolhendo a realização de enterros civis e de outras religiões para além da católica, tendo o presidente da CML resistido à pressão da Igreja e desobedecido a uma lei de 1872 que obrigava à criação de muros no interior dos cemitérios para separar os mortos de diferentes credos.
Considerando a ausência de uma morgue na cidade de Lisboa até 1899, os cemitérios de Lisboa procuram suprir essa falta na década de 1870. O Cemitério dos Prazeres passa a dispor de uma sala de autópsias devidamente equipada, elemento essencial para perícias forenses, sublinhando o importante papel científico destes equipamentos durante o século XIX.
A procura de terrenos para construção levou à redução dos espaços para enterramentos temporários neste cemitério, tendo estes terminado na década de 1930.
Entre as construções presentes encontram-se obras dos mais conhecidos arquitetos, escultores e canteiros do panorama português dos séculos XIX e XX: Antonio Canova, Luigi Manini, Rafael Bordalo Pinheiro, António Teixeira Lopes, Célestin Calmels, Vitor Bastos, Raul Lino, Ernesto Korrodi, Vasco Regaleira, José Cottinelli Telmo, Francisco Keil do Amaral, João Cutileiro, etc.
Muitas das mais sonantes personalidades do século XIX e XX português encontram-se inumadas neste cemitério, onde também se encontram o Talhão dos Artistas, a Cripta e Talhão dos Bombeiros Sapadores, os Jazigos dos Escritores e o Talhão da PSP.