UM RETRATO SOBRE O PRESENTE

Conheça alguns dos indicadores sociodemograficos ou outra informação de natureza ambiental, mobilidade e infrastruturas.

UMA PERSPETIVA SOBRE O PASSADO

Aqui pode encontrar a evolução histórica deste lugar que remonta a 8 mil anos atrás com o povoado neolítico da encosta de Sant'Ana

Retrato atual da zona que vai ser requalificada

Resumo de indicadores de mobilidade

   posição central dentro da cidade, a poucos minutos a pé de espaços públicos de grande importância (Praça da Figueira, Praça do Rossio, Praça do Comércio, Frente Ribeirinha);

   a Zona de confluência de distintos tecidos urbanos (Baixa Pombalina, Mouraria e zonas de mais recente construção);

   Existência de dois eixos pedonais estruturantes: Eixo transversal das escadinhas (Escadinhas do Jogo da Pêla , - Escadinhas da Saúde).- Eixo longitudinal da Rua da Palma;

   a Existência de elementos de agua;

   Localização num vale (sistema de vistas, perspetivas e rooftops), destacando as vistas panorâmicas sobre o Castelo;

   não existem bancos ou zonas de descanso;

   Zona multimodal de transporte (autocarros, autocarros de turismo, tuk tuks, táxis, elétricos, metropolitano, automóveis, parque de estacionamento subterrâneo). O Martim Moniz é servido diversos tipos de transportes e localiza-se perto das terminais fluviais;

   Forte carácter comercial (dois centros comerciais, comércio de proximidade nas ruas vizinhas).

   tráfego rodoviário muito intenso dificultando circulação pedonal em toda a praça e poluição sonora intensa (a praça funciona como grande rotunda rodoviária);

  insegurança pedonal nos atravessamentos da praça;

  espaço pouco ensombrado. Estrutura arbórea insipiente;

  poucas zonas de estadia e de encontro na placa central;

  localização num vale (sistema de vistas, perspetivas e rooftops), destacando as vistas panorâmicas sobre o Castelo;

  níveis de ruído viário muito elevados;

   zonas pedonais com elementos desordenados e largura reduzida;

  placa central da praça pouco acessível e difícil de atravessar; com acessos pontuais e por escadas na maioria das vezes;

  deficiente acessibilidade à placa central a partir das áreas envolventes;

  placa central sem qualquer oferta de equipamentos de lazer ou desporto;

  monumento à Muralha Fernandina divide o espaço cria um obstáculo;

  áreas para tomada de passageiros sobrecarregadas (elétrico 28E);

  zona envolvente da Igreja de São Domingos degradada.

Informação sociodemográfica

A metodologia utilizada para a caracterização sociodemográfica constou do tratamento dos dados dos recenseamentos da população e habitação realizados em 2021, correspondentes às subsecções estatísticas contidas numa envolvente à Praça do Martim Moniz de 500 metros. 

O Martim Moniz e a sua envolvente caracterizam-se pela sua multiculturalidade correspondendo ao local de Lisboa onde se articulam maior número de etnias e onde se podem encontrar mais exemplos de comércio relacionado com as culturas sul e sudoeste asiáticas. No entanto, o conhecimento desta realidade não pode ser aferido pelos dados dos recenseamentos e seria necessário recorrer a um inquérito específico.

Habitação

mais de 73% dos edifícios com função residencial de construção ou alterações anteriores a 1946 e 16,5% até 1980;

 apenas 5,6% dos edifícios foram construídos entre 1981 e 2000 e 4,7% entre 2001 e 2021;

 do total de edifícios com habitação 1.651 eram exclusivamente residenciais e 637 eram de outro tipo ou mistos;

  a estrutura demográfica do Martim Moniz e sua envolvente rejuvenesceu face ao recenseamento anterior, muito à custa do aumento do peso relativo das classes etárias entre os 15 e os 64 anos.

  dos 10.220 existentes (menos 351 que em 2011) 99,7% eram alojamentos familiares sendo que 36,6% destes, um número muito elevado, eram alojamentos vagos ou de residência secundária;

  o modo de ocupação residencial era maioritariamente de alojamentos arrendados (63,7%), sendo que os proprietários residentes eram 29,5% do total de alojamentos familiares

   A média de ocupação era de 1,5 pessoas por fogo

Alojamentos da área do Martim Moniz em 2011

 N%
Total de alojamentos10.220100
Alojamentos familiares10.19299,7
Alojamentos familiares de residência habitual6.45663,2
Alojamentos familiares de residência habitual com proprietário ocupante1.90729,5
Alojamentos familiares de residência habitual arrendados4.11363,7

Alojamentos familiares vagos ou residência secundária

3.73336.6

Fonte: INE, Censos 2021

População

mais de metade da população total correspondia a população em idade ativa (62,3%);

  no que respeita à distribuição etária, a população jovem (com idade igual ou inferior a 14 anos) representava 9,3% e a população idosa (idade igual ou superior a 65 anos) representava 19,4%;

 por cada jovem com menos de 15 anos existiam quase 2,1 idosos, valor superior ao da média da cidade, que se situava em 1,8;

  a estrutura demográfica do Martim Moniz e sua envolvente rejuvenesceu face ao recenseamento anterior, muito à custa do aumento do peso relativo das classes etárias entre os 15 e os 64 anos.

População da envolvente do Martim Moniz em 2021 por grandes grupos de idades

 0-1415-2425-6465 e +Total
População
%
1.389
9,3
1.335
9
9.276
62,3
2.883
19,4
14,883
100

Fonte: INE, Censos 2021

  constituída por 6.479 agregados domésticos, dos quais 3.220 (49,7%) são núcleos familiares;

  51,3% dos agregados são constituídos por indivíduos aparentemente sem relação familiar.

Ambiente - Relatórios de caracterização

A Praça central do Martim Moniz tem uma grande extensão de área verde e implantação de arvoredo sobre a laje do Parque de Estacionamento subterrâneo.

As espécies arbóreas presentes nas zonas sobre laje são a Brachychiton populneus e a Quercus palustris. Sendo espécies muito distintas, têm também comportamentos distintos, sendo notório o grande declínio dos Brachychiton populneus em relação aos Quercus que se apresentam vigorosos.

As espécies dominantes presentes para além das acima descritas são Citrus x aurantiumCercis siliquastrum, Pyrus calleryana var. Chanticleer.

Nº Total de Árvores – 86

Nº total de Arbustos - 167

Perfis transversais

Perfis transversais

Uma perspetiva sobre o passado

Lugar de fixação humana secular, a praça permanece fiel testemunha de diferentes tempos, pessoas e culturas. Em seu redor habitam, convergem e cruzam-se gentes e ideias.

A ocupação humana deste lugar remonta a 8 mil anos atrás com o povoado neolítico da encosta de Sant'Ana, situado na margem do Regueirão dos Anjos, no vale da Mouraria.

Somente a partir da Idade Média a fixação humana neste local se tornou mais significativa. No século XIV a área correspondente à praça atual era atravessada pela Cerca Fernandina (1373-1375), estrutura muralhada que delimitava a cidade e da qual ainda hoje restam vestígios na zona, como a Torre do Jogo da Péla e a Inscrição Comemorativa da construção da referida cerca.

No início da segunda metade do século XVI era aberta a Rua Nova de Palma, ocupando parte das hortas existentes e proporcionando uma nova zona urbanizada. Um século mais tarde (XVII) esta rua estendia-se para norte, crescendo em edificações. 

O terramoto ocorrido em 1755 viria a afetar parte desta área - alguns edifícios do sopé sudeste da encosta de Sant' Ana ruíram ou sofreram danos graves, outros resistiram, como a Capela de Nossa Senhora da Saúde e a Igreja do Socorro. 

No final do século XIX a cidade crescia em gentes e atividade. Os terrenos situados no vale, fronteiros ao bairro da Mouraria e ainda por ocupar, dariam lugar a quarteirões com ruas, pátios e becos, onde predominavam prédios densamente habitados. A proximidade deste novo aglomerado urbano ao bairro secular levou-o a ser identificado como extensão da antiga "mouraria" (designação do gueto destinado aos "mouros" expulsos do interior da cidade após a conquista cristã de Lisboa em 1147).

No século XX, entre 1930 e 1960, esta área torna-se foco do novo urbanismo civilizador, assente nos princípios de higienização e embelezamento, considerando a cidade antiga como um impedimento ao progresso. Uma política manifestada em duas décadas de profundas demolições deste conjunto urbano, maioritariamente construído um século antes, apenas pouparia o bairro da Mouraria e a capela de Nossa Senhora da Saúde

Do vazio dos escombros surgia um vasto largo, então denominado Martim Moniz, um mito da reconquista cristã e figura conveniente à ideologia do Estado Novo. Este espaço seria parcialmente preenchido, na década de 50, com pavilhões pré-fabricados para atividades comerciais, paragens de autocarros e elétricos, e ainda um parque de estacionamento. Uma década mais tarde, em 1966, a rede de metropolitano inaugurava no subsolo do largo a sua 13.ª estação, então denominada Socorro (mais tarde Martim Moniz). 

Entre 1950 e 1975 foram realizados vários estudos e planos para o Martim Moniz, integrados nos trabalhos do Plano Diretor de Urbanização de Lisboa. As propostas apresentadas seguiam as ideias europeias da época propondo grandes ruturas com o tecido urbano existente, edifícios monumentais e vias rápidas. Em 1994 o Plano Diretor Municipal de Lisboa define para o Martim Moniz uma Unidade Operativa de Planeamento e Gestão cujos objetivos serão implementados em 1997, tendo sido construído um parque de estacionamento subterrâneo e na sua superfície uma praça central com um sistema viário circular. Foi a construção desta proposta que transformou o lugar Martim Moniz na praça que conhecemos, sendo-lhe atribuído o topónimo oficial de Praça Martim Moniz por Edital de 15/12/1997

Ao longo do presente século a praça foi palco de múltiplas iniciativas promovidas pelo município e dirigidas aos que a partilham diariamente ou que a visitam para esse fim, gerando, consequentemente, uma peculiar atração, novos usos, práticas e vivências.

Este é o espaço que desejamos vivido e reconhecido por todos, perpetuando a sua identidade histórica, para que juntos possamos desenhar uma memória no futuro da cidade.

Evolução do eixo

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Criação do topónimo "Rua Martim Moniz" atribuído pela Municipio de Lisboa.
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