Oportunidades de Investimento

O rebalance da economia mundial e a passagem para um mundo multipolar, com a emergência de grandes economias tem vindo a reforçar a posição geoeconómica central de Portugal e de Lisboa no Mundo, em particular o potencial da sua fachada atlântica como plataforma de relacionamento privilegiado com os continentes Americano, Africano e Asiático.

Este potencial tem vindo a manifestar-se, desde logo, nos investimentos que têm sido realizados com os países de língua oficial portuguesa.

Neste âmbito, importa destacar as fortes ligações ao Brasil e também a Angola (duas powerhouses da economia mundial), com foco nas recentes decisões de instalação na capital portuguesa da TVGlobo, Embraer, Technip, Sonangol ou BIC.

A tendência acima referida tem-se refletido na oportunidade de atração de investimento das economias emergentes, podendo a estas juntar-se os casos da chinesa Huawei, da PSA de Singapura em Sines ou a intenção de reforço de investimento da sul coreana Samsung. Lisboa deverá ser capaz de acompanhar e explorar este deslocamento da economia global para Este.

A importância crescente do Nearshoring, entendido como a localização por parte de Empresas Multinacionais (EMN’s)  de funções e atividades em localizações próximas de grandes mercados/regiões desenvolvidas, é uma tendência que Lisboa deve aproveitar, em função da sua posição geoestratégica e das vantagens competitivas que detém ao nível de recursos humanos qualificados.

Neste sentido, a região de Lisboa tem vindo a ser capaz de atrair centros de investigação e centros de competência de multinacionais (Nokia Siemens Networks, Cisco Systems, SAP, Xerox entre outras). Neste tipo de atividades incluem-se igualmente os denominados Shared Service Centers (SSC).

A cidade de Lisboa tem todas as condições para assumir a liderança deste movimento. enquanto centro polarizador de investimentos, empresas e talentos a uma escala metropolitana e regional.

Lisboa é, cada vez mais, um polo de atração dos denominados Shared Service Centers (SSC), permitindo que empresas globais posicionem um conjunto de funções de natureza transversal (serviços financeiros/contabilidade, atendimento e gestão de clientes, recursos humanos e formação, manutenção de operações/serviços, entre outras) em localizações remotas.

Esta função encerra em si um forte potencial de oportunidades para Lisboa, pelo elevado número de interações que gera com as demais funções e serviços das empresas espalhadas pelo mundo, integrando cada vez mais serviços de elevado valor acrescentado, geradores de empregos qualificados no território onde se instalam.

A instalação em Lisboa de SSC's de diferentes tipos por parte de empresas como a Fujitsu (localizou na Torre do Colombo um dos três SSC's que tem no mundo, num projeto internacional denominado Follow the Sun, o qual explora os diferentes fusos horários dos centros localizados em três continente diferentes), Axa France (sediou em Lisboa o seu centro de formação europeu) ou ainda os casos do Barclays Bank e do BNP Paribas, são um sinal inequívoco do potencial de Lisboa nesta área.

A capital portuguesa pode assumir-se, no futuro, como destino privilegiado para a localização de sedes regionais ou europeias de empresas multinacionais.

O caso da TV Globo, que instalou recentemente em Lisboa a sua sede europeia, reflete o potencial da cidade como espaço de atração de headquarters, em particular de empresas de países lusófonos, e de outras economias emergentes, que veem em Lisboa e Portugal uma porta de entrada para gerir e organizar movimentos expansionistas para a europa.

Nos contactos estabelecidos com um número significativo de atores do setor imobiliário de negócios/escritórios, foi evidenciada a elevada atratividade atual e potencial da frente ribeirinha da cidade de Lisboa para a localização de atividades económicas de diferentes tipos.

Evidenciam-se as atividades lúdicas, culturais e desportivas, como sejam uma diversidade de equipamentos e de pontos de interesse: monumentos, museus, restaurantes, bares, esplanadas e espaços de lazer.

Lisboa (cidade e área metropolitana) tem-se revelado muito atrativa para a instalação de empresas dos setores das tecnologias de informação e comunicação ao qual podemos juntar as indústrias do software e todas empresas na área da internet, bem como empresas nas áreas dos media e audiovisual.

Sendo este um setor onde Lisboa tem um peso muito significativo em termos nacionais, o mesmo apresenta oportunidades importantes, não só pela sua ligação a atividades de elevado grau tecnológico, mas também pela sua ligação às indústrias culturais e criativas.

Esta tendência é ilustrada pela recente instalação em Lisboa  de empresas como a Google, TV Globo, a FOX International, a Fujitsu, ou Huawey, que se juntam a empresas que detêm uma forte presença na cidade ou que se encontram em processo de reforço das suas operações: IBM, Vodafone, Sonaecom, ZON, Portugal Telecom, Microsoft, entre outras.

O setor da saúde e bem-estar assume um particular relevo estratégico para o futuro da cidade, por ser de elevada intensidade tecnológica e de conhecimento.

Este é um dos setores que ilustra a necessidade de Lisboa (e Portugal…) ser capaz de pensar e agir em diferentes horizontes temporais.

O papel do setor é reforçado pela importância que a cidade assume a nível nacional, enquanto espaço de concentração de funções de topo e de investigação e desenvolvimento, reforçada pelas tendências recentes como a do Center for the Unknowned da Fundação Champalimaud e com a instalação nos últimos 12 meses de várias empresas farmacêuticas em Lisboa, destacando-se o caso da PPD, e ainda a instalação da Bial e da Hovione no Campus do IAPMEI.

Pensando num horizonte temporal um pouco mais longo, o facto de Lisboa estar a passar por um processo de transformação profundo ao nível do seu parque hospitalar, com o encerramento de hospitais antigos situados em zonas centrais da cidade e a abertura de um grande hospital central com valências ao nível da investigação clínica e formação universitária o que poderá ser encarado como uma janela de oportunidade para posicionar Lisboa como um ator internacional na área da saúde.

Este novo hospital público será, naturalmente, uma âncora importante para que a cidade possa atrair um conjunto diversificado de atores empresariais e de investigação em diferentes áreas das ciências da saúde (empresas farmacêuticas, biotecnológicas, farmacogenómica, equipamento e instrumentação médica, clínicas médicas, entre outros).

Neste sentido, o novo Hospital Central de Lisboa poderá ser muito mais do que um mero hospital.

Mesmo com as alterações na forma de organização territorial das instituições bancárias, com o surgimento de grandes infraestruturas de backoffice e data centers que implicam uma utilização extensiva de espaço, o setor financeiro mantém um peso significativo na cidade, bem como nas opções de atração e expansão de atividades das empresas multinacionais, como são exemplo as decisões recentes do Barclays, da AXA France, do BNP Paribas, da Lyoness ou do Banco do Brasil.